Melanoma ungueal e acral: quando manchas nas unhas, mãos e pés preocupam?
Descubra o que é o melanoma ungueal e o melanoma acral, quais sinais de alerta observar nas unhas, mãos e pés, como é feito o diagnóstico e quando procurar um especialista.

29/09/2026
Autoria e revisão médica
Conteúdo assinado e revisado pela Dra. Andrea Schiavinato Jafelicci, cirurgiã oncológica, CRM 129.622.
As informações têm caráter educativo e não substituem consulta médica individualizada.
Quando pensamos em melanoma, é comum imaginarmos uma pinta escura nas costas, braços ou rosto. No entanto, esse tipo de câncer de pele também pode surgir em regiões pouco expostas ao sol, como as unhas, as palmas das mãos e as plantas dos pés.
Nesses casos, estamos falando do melanoma ungueal (também chamado de melanoma subungueal) e do melanoma acral, formas menos frequentes, mas que costumam apresentar diagnóstico tardio justamente porque seus sinais são pouco conhecidos e facilmente confundidos com traumas, hematomas, infecções ou alterações benignas da unha.
Saber reconhecer essas alterações é fundamental, pois o diagnóstico precoce continua sendo o principal fator associado às maiores chances de cura.
Neste artigo, você entenderá o que é o melanoma ungueal e o melanoma acral, quais sinais merecem atenção, como é realizado o diagnóstico, quais são as opções de tratamento e quando procurar avaliação especializada.
O que é o melanoma?
O melanoma é um tipo de câncer que se origina nos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, pigmento que confere cor à pele, aos cabelos e às unhas.
Embora represente uma parcela menor dos casos de câncer de pele, é considerado o tipo mais agressivo devido ao seu potencial de invadir tecidos profundos e se disseminar para outros órgãos.
Quando diagnosticado precocemente, entretanto, apresenta excelentes taxas de cura.
O que é o melanoma acral?
O melanoma acral é um subtipo de melanoma que surge nas chamadas regiões acrais, ou seja:
- palmas das mãos;
- plantas dos pés;
- região ao redor das unhas;
- leito ungueal.
Ao contrário da maioria dos melanomas, esse subtipo não está diretamente relacionado à exposição solar, o que explica seu aparecimento em áreas geralmente protegidas do sol.
Embora seja raro na população geral, representa uma proporção maior dos melanomas em pessoas de pele negra, asiática e hispânica.
É importante destacar, porém, que o melanoma acral pode ocorrer em qualquer pessoa, independentemente da cor da pele.
O que é o melanoma ungueal?
O melanoma ungueal, também conhecido como melanoma subungueal, é um tipo de melanoma que acomete a unidade ungueal, podendo surgir na matriz da unha, no leito ungueal ou em estruturas próximas.
Na maioria das vezes, aparece como uma faixa escura longitudinal que percorre a unha da base até a extremidade.
Por afetar uma região pouco lembrada durante o autoexame, esse tumor costuma ser diagnosticado em estágios mais avançados do que outros tipos de melanoma.
Qual a diferença entre melanoma acral e melanoma ungueal?
Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, existe uma diferença importante.
- Melanoma acral é o termo mais amplo e engloba os melanomas localizados nas palmas das mãos, plantas dos pés e região ungueal.
- Melanoma ungueal refere-se especificamente aos tumores que acometem a unha e suas estruturas.
Ou seja, todo melanoma ungueal faz parte do grupo dos melanomas acrais, mas nem todo melanoma acral ocorre nas unhas.
Como o melanoma ungueal se manifesta?
O sinal mais conhecido é o surgimento de uma faixa escura na unha, chamada de melanoníquia longitudinal.
No entanto, é importante lembrar que nem toda faixa escura representa um melanoma.
As principais características que aumentam a suspeita incluem:
- faixa marrom ou preta que aumenta de largura;
- coloração irregular;
- presença de diferentes tonalidades;
- bordas mal definidas;
- alteração progressiva da unha;
- destruição da lâmina ungueal;
- sangramento;
- ulceração;
- dor em fases mais avançadas.
Essas alterações exigem avaliação médica.
O que é o sinal de Hutchinson?
Um dos sinais clínicos mais importantes do melanoma ungueal é o chamado sinal de Hutchinson.
Ele ocorre quando a pigmentação escura ultrapassa a unha e se estende para a pele ao redor, especialmente na cutícula ou nas laterais do dedo.
Embora nem todos os melanomas apresentem esse sinal, sua presença aumenta significativamente a suspeita de malignidade.
Vale ressaltar que algumas condições benignas podem produzir um aspecto semelhante (pseudo-sinal de Hutchinson), reforçando a necessidade de avaliação especializada.
Quais manchas nas unhas podem ser benignas?
Nem toda alteração pigmentada indica câncer.
Entre as causas benignas mais frequentes estão:
- hematomas após traumas;
- infecções fúngicas;
- pigmentação fisiológica;
- nevos (pintas) da matriz ungueal;
- uso de alguns medicamentos;
- doenças inflamatórias;
- alterações relacionadas à gravidez.
Mesmo assim, qualquer mudança persistente deve ser examinada por um especialista.
Quando uma faixa escura na unha merece investigação?
Algumas características merecem atenção especial.
Procure avaliação médica se houver:
- aparecimento recente de faixa escura, especialmente após os 40 anos;
- aumento progressivo da largura da faixa;
- mudança na cor;
- diferentes tonalidades na mesma lesão;
- pigmentação irregular;
- acometimento de apenas uma unha;
- alteração da forma da unha;
- sangramento;
- ulceração;
- extensão da pigmentação para a pele ao redor da unha.
Quanto mais cedo essas alterações forem investigadas, maiores serão as chances de um diagnóstico precoce.
Como o melanoma acral aparece nas mãos e nos pés?
Nas palmas e plantas, o melanoma pode se apresentar como:
- mancha escura;
- área marrom ou preta irregular;
- lesão que cresce lentamente;
- placa assimétrica;
- nódulo pigmentado;
- ferida persistente.
Em alguns casos, pode até mesmo apresentar pouca pigmentação (melanoma amelanótico), tornando o diagnóstico ainda mais desafiador.
O melanoma acral está relacionado ao sol?
Diferentemente da maioria dos melanomas cutâneos, o melanoma acral não apresenta relação direta com a exposição solar.
Sua origem ainda não é completamente compreendida, mas acredita-se que fatores genéticos e alterações moleculares específicas tenham papel importante em seu desenvolvimento.
Isso explica por que ele pode surgir em regiões completamente protegidas da radiação ultravioleta.
Quem apresenta maior risco?
Embora possa ocorrer em qualquer pessoa, alguns fatores aumentam a necessidade de atenção.
Entre eles:
- histórico pessoal de melanoma;
- histórico familiar da doença;
- presença de múltiplas pintas;
- idade acima dos 50 anos;
- alterações pigmentadas persistentes nas unhas;
- crescimento progressivo de lesões nas plantas dos pés ou palmas das mãos.
Ao contrário de outros tipos de melanoma, a pele clara não representa um fator de risco tão marcante para o melanoma acral.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada.
O especialista observa:
- tempo de evolução;
- padrão da pigmentação;
- largura da faixa;
- alterações da unha;
- presença do sinal de Hutchinson;
- histórico do paciente.
Na sequência, costuma ser realizada a dermatoscopia, exame que amplia estruturas invisíveis a olho nu e permite avaliar padrões característicos de lesões pigmentadas.
Quando existe suspeita de melanoma, é indicada a biópsia, que consiste na retirada parcial ou total da lesão para análise em laboratório.
O exame anatomopatológico é o único capaz de confirmar o diagnóstico.
Como funciona o tratamento?
O tratamento depende principalmente do estágio da doença.
Cirurgia
Nos casos iniciais, a cirurgia é o tratamento de escolha.
O objetivo é remover completamente o tumor com margens de segurança adequadas.
Dependendo da localização e da extensão da lesão, diferentes técnicas cirúrgicas podem ser utilizadas para preservar ao máximo a função e a anatomia do dedo ou da região acometida.
Atualmente, sempre que possível e oncologicamente seguro, busca-se realizar procedimentos conservadores. A necessidade de amputação, muito comum no passado, tornou-se menos frequente em casos selecionados graças ao diagnóstico precoce e à evolução das técnicas cirúrgicas.
Pesquisa do linfonodo sentinela
Em melanomas com determinadas características de espessura e risco, pode ser indicada a biópsia do linfonodo sentinela.
Esse procedimento avalia se houve disseminação microscópica da doença para os linfonodos e auxilia no estadiamento e na definição da estratégia terapêutica.
Imunoterapia
Pacientes com melanoma localmente avançado, metastático ou com maior risco de recorrência podem receber imunoterapia, tratamento que estimula o sistema imunológico a reconhecer e destruir células tumorais.
Nas últimas décadas, essa modalidade transformou o prognóstico de muitos pacientes com melanoma.
Terapias-alvo
Em tumores que apresentam alterações genéticas específicas, podem ser utilizadas terapias-alvo, medicamentos que bloqueiam mecanismos responsáveis pelo crescimento das células cancerígenas.
A indicação depende dos resultados da avaliação molecular do tumor.
O melanoma ungueal tem cura?
Sim.
Quando identificado precocemente, o melanoma ungueal apresenta elevadas chances de cura por meio do tratamento cirúrgico.
O principal desafio é que muitos pacientes interpretam a lesão como um hematoma, uma micose ou consequência de um trauma, retardando a procura por atendimento médico.
Por isso, qualquer alteração persistente nas unhas deve ser investigada.
Como prevenir o melanoma ungueal e acral?
Como esses tumores não estão diretamente relacionados à exposição solar, não existe uma estratégia específica de prevenção semelhante à fotoproteção utilizada para outros tipos de câncer de pele.
Ainda assim, algumas medidas são importantes:
- observar regularmente unhas, mãos e pés;
- realizar autoexame mensal da pele;
- procurar avaliação diante de manchas persistentes;
- evitar ignorar alterações atribuídas apenas a traumas;
- manter acompanhamento dermatológico em pessoas com fatores de risco.
O diagnóstico precoce continua sendo a melhor forma de reduzir o impacto da doença.
Quando procurar um especialista?
É recomendável buscar avaliação médica sempre que houver:
- faixa escura que aumenta de largura na unha;
- mancha pigmentada irregular na planta do pé ou palma da mão;
- pigmentação que alcança a cutícula ou a pele ao redor da unha;
- deformidade ungueal persistente;
- sangramento sem causa aparente;
- ferida que não cicatriza na região das mãos, pés ou unhas;
- qualquer alteração que evolua progressivamente.
Mesmo alterações aparentemente pequenas podem representar lesões iniciais e merecem investigação.
Conclusão
O melanoma ungueal e o melanoma acral são formas menos frequentes de câncer de pele, mas exigem atenção especial justamente por surgirem em regiões onde muitas pessoas não costumam procurar sinais de doença.
Uma faixa escura que cresce na unha, uma mancha irregular na planta do pé ou na palma da mão e alterações persistentes da unha não significam necessariamente câncer. No entanto, essas mudanças nunca devem ser ignoradas, especialmente quando apresentam crescimento progressivo, mudanças de cor ou deformidade da unha.
O reconhecimento precoce dessas alterações permite um diagnóstico mais rápido e aumenta significativamente as chances de tratamento curativo. Se você notar qualquer mudança suspeita nas unhas, mãos ou pés, procure um dermatologista ou um cirurgião oncológico com experiência em tumores de pele. A avaliação especializada é essencial para esclarecer o diagnóstico e definir a melhor conduta.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Toda faixa escura na unha é melanoma?
Não. A maioria das faixas pigmentadas nas unhas está relacionada a condições benignas, como hematomas, nevos, pigmentação fisiológica ou uso de medicamentos. Entretanto, uma faixa que aumenta de largura, apresenta cores irregulares ou acomete apenas uma unha deve ser avaliada por um especialista.
O melanoma ungueal dói?
Na maioria das vezes, não. Nas fases iniciais, o melanoma ungueal costuma ser indolor. Dor, sangramento e deformidade da unha podem surgir em estágios mais avançados.
O melanoma acral é causado pela exposição ao sol?
Não. Diferentemente da maioria dos melanomas, o melanoma acral não apresenta associação direta com a radiação ultravioleta e pode surgir em áreas que raramente recebem exposição solar, como palmas das mãos, plantas dos pés e unhas.
Um hematoma pode ser confundido com melanoma?
Sim. Hematomas sob a unha podem se parecer com melanoma ungueal. Em geral, o hematoma acompanha o crescimento da unha e desaparece com o tempo, enquanto o melanoma tende a persistir ou aumentar. Em caso de dúvida, a avaliação médica é indispensável.
Como é confirmado o diagnóstico de melanoma ungueal?
Após o exame clínico e a dermatoscopia, o diagnóstico é confirmado por meio de uma biópsia, seguida de análise anatomopatológica da lesão.
O melanoma ungueal tem cura?
Sim. Quando diagnosticado em fases iniciais, o melanoma ungueal apresenta excelentes chances de cura, principalmente com tratamento cirúrgico adequado. Por isso, reconhecer os sinais de alerta e procurar atendimento especializado precocemente faz toda a diferença.
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