Câncer de ovário: sintomas iniciais que podem passar despercebidos
O câncer de ovário costuma apresentar sintomas discretos nas fases iniciais. Descubra quais são os principais sinais de alerta, fatores de risco, exames utilizados no diagnóstico e quando procurar um ginecologista oncológico.

06/08/2026
Autoria e revisão médica
Conteúdo assinado e revisado pela Dra. Andrea Schiavinato Jafelicci, cirurgiã oncológica, CRM 129.622.
As informações têm caráter educativo e não substituem consulta médica individualizada.
O câncer de ovário é conhecido como um dos tumores ginecológicos mais desafiadores para o diagnóstico precoce. Diferentemente de outras doenças, ele frequentemente não provoca sintomas específicos em suas fases iniciais, o que faz com que muitas mulheres só descubram a doença quando ela já está mais avançada.
No entanto, dizer que o câncer de ovário é uma doença “silenciosa” não é totalmente correto. Na maioria das vezes, alguns sinais aparecem, mas costumam ser leves, inespecíficos e facilmente confundidos com problemas gastrointestinais, urinários ou alterações hormonais.
Reconhecer esses sintomas e procurar avaliação médica quando eles persistem pode fazer toda a diferença. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as possibilidades de tratamento eficaz e melhores são os resultados.
Neste artigo, você entenderá o que é o câncer de ovário, quais são seus sintomas iniciais, quem apresenta maior risco, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos estão disponíveis.
O que é o câncer de ovário?
O câncer de ovário é um tumor maligno que se desenvolve nos ovários, órgãos responsáveis pela produção dos óvulos e de hormônios como estrogênio e progesterona.
Existem diferentes tipos de câncer de ovário, classificados conforme a célula de origem. Os principais são:
- Tumores epiteliais, que representam cerca de 90% dos casos e são mais comuns após a menopausa.
- Tumores de células germinativas, mais frequentes em mulheres jovens.
- Tumores do estroma ovariano, que se originam das células produtoras de hormônios e correspondem a uma pequena parcela dos casos.
Cada subtipo possui características, comportamento e tratamento específicos.
Por que o câncer de ovário costuma ser diagnosticado tardiamente?
O grande desafio é que os ovários estão localizados profundamente na pelve, permitindo que pequenos tumores cresçam sem causar sintomas evidentes.
Além disso, os sinais iniciais costumam ser vagos e semelhantes aos de doenças muito mais comuns, como:
- síndrome do intestino irritável;
- gastrite;
- prisão de ventre;
- intolerâncias alimentares;
- infecções urinárias.
Por esse motivo, muitas mulheres demoram a procurar atendimento ou recebem tratamentos para outras condições antes da investigação adequada.
Quais são os sintomas iniciais do câncer de ovário?
Embora possam parecer inespecíficos, alguns sintomas merecem atenção, principalmente quando são novos, persistentes e ocorrem com frequência.
Inchaço abdominal persistente
Um dos sinais mais comuns é a sensação de barriga inchada.
Diferentemente do desconforto após uma refeição, esse aumento do volume abdominal tende a persistir por dias ou semanas.
Muitas pacientes relatam:
- roupas ficando apertadas;
- aumento da circunferência abdominal;
- sensação constante de distensão.
Dor ou desconforto na pelve
A dor pélvica pode ser leve, contínua ou intermitente.
Em alguns casos, irradia para a região lombar ou para a parte inferior do abdome.
Embora existam muitas causas benignas para dor pélvica, sua persistência deve ser investigada.
Sensação de saciedade precoce
Outro sintoma bastante característico é sentir-se satisfeita após ingerir pequenas quantidades de alimento.
Essa alteração pode ocorrer devido ao aumento do volume do tumor ou ao acúmulo de líquido na cavidade abdominal.
Alterações intestinais
Mudanças persistentes no funcionamento intestinal podem ocorrer, como:
- prisão de ventre;
- aumento dos gases;
- sensação de evacuação incompleta;
- desconforto abdominal.
Esses sintomas frequentemente são confundidos com problemas digestivos.
Aumento da frequência urinária
O tumor pode exercer pressão sobre a bexiga, causando:
- vontade frequente de urinar;
- urgência urinária;
- sensação de esvaziamento incompleto.
Dor durante as relações sexuais
Algumas mulheres apresentam dor nas relações (dispareunia), especialmente quando existem tumores maiores ou comprometimento da pelve.
Cansaço persistente
A fadiga pode surgir mesmo sem esforço físico significativo.
Embora seja um sintoma inespecífico, merece investigação quando associada a outros sinais.
Perda de peso sem explicação
Em fases mais avançadas, pode ocorrer perda de peso involuntária, diminuição do apetite e enfraquecimento geral.
Quando esses sintomas merecem atenção?
É comum sentir gases, inchaço ou alterações intestinais ocasionalmente. O diferencial está na persistência e na frequência.
Os sintomas merecem investigação quando:
- persistem por mais de duas a três semanas;
- tornam-se progressivamente mais intensos;
- aparecem quase diariamente;
- representam uma mudança no padrão habitual da paciente;
- estão associados entre si.
Nessas situações, a avaliação médica é recomendada.
Quem apresenta maior risco de desenvolver câncer de ovário?
Embora qualquer mulher possa desenvolver a doença, alguns fatores aumentam o risco.
Idade
O risco cresce com o envelhecimento, especialmente após os 50 anos e na pós-menopausa.
Histórico familiar
Mulheres com familiares de primeiro grau que tiveram câncer de ovário, mama, trompas ou peritônio apresentam risco aumentado.
Alterações genéticas
As mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentam significativamente o risco de câncer de ovário e de mama.
Além delas, a síndrome de Lynch também está associada a maior risco de tumores ginecológicos.
Nunca ter engravidado
A nuliparidade está relacionada a discreto aumento do risco.
Endometriose
Alguns subtipos de câncer de ovário apresentam associação com endometriose, embora a maioria das mulheres com essa doença não desenvolva câncer.
Obesidade
O excesso de peso pode contribuir para o aumento do risco em determinados tipos de câncer de ovário.
Existem fatores que ajudam a reduzir o risco?
Sim.
Alguns fatores parecem exercer efeito protetor, incluindo:
- uso de anticoncepcionais orais por períodos prolongados, quando indicados pelo médico;
- gravidez;
- amamentação;
- laqueadura tubária em situações específicas.
Essas informações não significam que tais medidas devam ser adotadas exclusivamente para prevenção do câncer, mas ajudam a compreender os fatores envolvidos no risco da doença.
Como é feito o diagnóstico?
Não existe atualmente um exame de rastreamento eficaz para o câncer de ovário em mulheres sem sintomas e sem alto risco.
Por isso, o diagnóstico depende da avaliação clínica e dos exames indicados conforme cada caso.
Consulta médica
O primeiro passo é uma avaliação detalhada dos sintomas, do histórico pessoal e familiar e do exame físico.
Ultrassonografia transvaginal
É um dos principais exames de imagem utilizados para avaliar os ovários.
Permite identificar:
- cistos;
- massas ovarianas;
- características suspeitas de malignidade.
Exames de sangue
Marcadores tumorais como o CA-125 podem auxiliar na investigação e no acompanhamento, mas não são adequados como exame de rastreamento isolado, pois podem estar elevados em diversas doenças benignas.
Em situações específicas, outros marcadores também podem ser solicitados, especialmente em mulheres jovens com suspeita de tumores de células germinativas.
Tomografia computadorizada e ressonância magnética
Esses exames ajudam a avaliar a extensão da doença e a planejar o tratamento.
Cirurgia e análise anatomopatológica
O diagnóstico definitivo é estabelecido pela análise do tecido obtido durante cirurgia ou biópsia, quando indicada.
Como funciona o tratamento?
O tratamento depende de diversos fatores:
- tipo do tumor;
- estágio da doença;
- idade;
- condições clínicas;
- características moleculares.
Cirurgia
Na maioria dos casos, a cirurgia representa a principal etapa do tratamento.
O objetivo é remover completamente o tumor sempre que possível.
Dependendo do estágio, podem ser retirados:
- ovários;
- trompas;
- útero;
- linfonodos;
- implantes tumorais na cavidade abdominal.
Em muitos casos, realiza-se uma cirurgia citorredutora, buscando remover todo o tumor visível, fator associado a melhores resultados oncológicos.
Quimioterapia
Frequentemente indicada antes ou após a cirurgia, dependendo do estágio e da extensão da doença.
A combinação de cirurgia e quimioterapia constitui o tratamento padrão para a maioria dos tumores epiteliais.
Terapias-alvo
Pacientes com mutações em genes como BRCA1 e BRCA2 podem se beneficiar de medicamentos específicos, como os inibidores da PARP, utilizados em situações selecionadas para tratamento e manutenção.
Imunoterapia
A imunoterapia ainda possui indicação restrita para o câncer de ovário, mas pode ser considerada em casos específicos, conforme características moleculares do tumor.
É possível prevenir o câncer de ovário?
Não existe uma forma garantida de prevenção.
Entretanto, algumas estratégias ajudam na redução do risco e no diagnóstico precoce.
Entre elas:
- conhecer o histórico familiar;
- realizar aconselhamento genético quando indicado;
- manter peso saudável;
- praticar atividade física;
- realizar acompanhamento ginecológico periódico;
- investigar sintomas persistentes.
Mulheres com mutações hereditárias de alto risco podem necessitar de acompanhamento especializado e, em algumas situações, de cirurgias redutoras de risco, sempre após avaliação individualizada.
Quando procurar um ginecologista ou ginecologista oncológico?
Procure avaliação médica se apresentar:
- inchaço abdominal persistente;
- dor pélvica frequente;
- sensação de saciedade precoce;
- alterações intestinais sem causa aparente;
- aumento persistente da frequência urinária;
- perda de peso involuntária;
- histórico familiar de câncer de ovário ou mutações hereditárias associadas.
Mesmo que esses sintomas tenham outras causas mais comuns, sua persistência justifica investigação.
Conclusão
O câncer de ovário continua sendo um dos tumores ginecológicos que mais desafiam o diagnóstico precoce, principalmente porque seus sintomas iniciais costumam ser discretos e facilmente confundidos com problemas digestivos ou urinários. No entanto, inchaço abdominal persistente, dor pélvica, sensação de saciedade precoce e alterações intestinais frequentes não devem ser ignorados, especialmente quando surgem de forma contínua e representam uma mudança no padrão habitual da paciente.
Embora ainda não exista um método de rastreamento eficaz para mulheres sem fatores de risco, conhecer os sinais de alerta, manter acompanhamento ginecológico regular e procurar atendimento diante de sintomas persistentes são atitudes que favorecem um diagnóstico mais precoce e aumentam as chances de sucesso do tratamento.
Se você apresenta sintomas persistentes ou possui histórico familiar de câncer de ovário, mama ou mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2, converse com um ginecologista oncológico. Uma avaliação especializada é fundamental para definir a necessidade de exames complementares e oferecer o tratamento mais adequado, quando necessário.
Perguntas frequentes (FAQ)
O câncer de ovário causa sintomas no início?
Sim. Embora muitas vezes discretos, sintomas como inchaço abdominal persistente, dor pélvica, saciedade precoce e alterações urinárias ou intestinais podem surgir nas fases iniciais.
O exame de Papanicolau detecta câncer de ovário?
Não. O Papanicolau é um exame de rastreamento para alterações do colo do útero e não identifica o câncer de ovário.
O CA-125 confirma o diagnóstico?
Não. O CA-125 é um marcador que pode auxiliar na investigação e no acompanhamento, mas pode estar elevado em diversas condições benignas. O diagnóstico depende da avaliação clínica, dos exames de imagem e da análise anatomopatológica.
Toda mulher com cisto no ovário tem câncer?
Não. A grande maioria dos cistos ovarianos é benigna. Apenas uma pequena parcela apresenta características suspeitas que exigem investigação especializada.
Quem tem mutação nos genes BRCA sempre desenvolverá câncer de ovário?
Não. As mutações em BRCA1 e BRCA2 aumentam significativamente o risco, mas não significam que o câncer ocorrerá obrigatoriamente. O acompanhamento especializado é essencial para definir as melhores estratégias de prevenção e monitoramento.
Existe exame de rastreamento para câncer de ovário?
Atualmente, não há um método de rastreamento que tenha demonstrado benefício para a população geral. Em mulheres com alto risco hereditário, o seguimento é individualizado e pode incluir aconselhamento genético, exames específicos e, em alguns casos, cirurgia redutora de risco.
Leia também
Precisa de avaliação médica?
A Dra. Andrea Jafelicci realiza atendimento em São Paulo e Jundiaí, com orientação individualizada para investigação, tratamento e acompanhamento oncológico.
Agendar consulta








